Com o filme quase saindo de cartaz, tomei vergonha na cara e fui ver
Cavaleiros do Zodíaco no cinema. Acho que a melhor forma de resumir o filme numa única
frase, é: Foi uma merda, mas eu adorei!!!
Hoje posso dizer que, assim como alguns outros animes e
heróis, CdZ foi uma das maiores influências para minha formação de caráter e
personalidade. Assisti quando criança e aprendi muito sobre amizade, justiça e
a importância de se esforçar por um objetivo e lutar
por um ideal, a ponto de arriscar a própria vida (snif). Acho que por
isso tenho um carinho tão especial por essa série.
Mas, vamos ao filme.
A apresentação do enredo e dos personagens acontece de forma
meio corrida. Por um lado é bom para aqueles que estão tendo seu primeiro
contato com CdZ, porém pode acabar sendo meio difícil assimilar tantas informações na
velocidade em que são apresentadas.
As personalidades dos cavaleiros de bronze foram apresentadas de forma totalmente caricata, sendo o Seiya o engraçadão,
Shiryu o sábio e calado, Shun o bonzinho, Hyoga o frio (tum dum tzzz) e por
fim, o Ikki, sendo o "metido a malvadão". A Saori/Athena passa a maior parte do filme confusa (assim
como o expectador de primeira viagem), buscando descobrir mais sobre si mesma, mas
até que foi bem aproveitada. Tentaram fazer rolar um romance entre ela e o
Seiya, mas assim como no anime, não deu em nada.
O filme vai bem até mais ou menos a metade, quando são apresentados os cavaleiros de ouro. Para torná-los
"bonzinhos", o enredo força para que as lutas sejam rápidas e todos
aceitem a Saori como a verdadeira Athena, diferente do anime, onde muito sangue é derramado
até que os guerreiros de bronze provem que estão certos.
Quanto aos cavaleiros de ouro, suas armaduras foram as que mais sofreram alterações para o filme, mas ficaram bem legais. As personalidades da maioria também foram bem condizentes com o anime, exceto pelo máscara da morte, que lembrava muito O Máscara, do Jim Carrey. Infelizmente, devido à limitação de tempo do filme, não deu
para destacar nenhum cavaleiro de ouro como fódão. Na verdade, em
determinadas cenas, eles agiram como verdadeiros patetas. No final, usaram uma desculpa bem merda idiota para tirar os guerreiros de ouro de
cena e dar destaque ao Seiya...ah, o Seiya. Chegamos a outro ponto agora.
Se o
cavaleiro de Pégaso já é odiado por alguns fãs do anime por roubar a cena, no
filme então...deveriam ter traduzido realmente o título original da obra: Santo
Seiya. No filme, mesmo sem motivo aparente, o cavaleiro de Pégaso é destacado
como especial. Todos lutam e torcem por ele. No

anime isso é até aceitável,
pois foi construído um background para ele se tornar um personagem tão
importante. Por conta de tanto destaque, os outros 4 cavaleiros de bronze acabaram
ficando um pouco apagados durante a história, sendo limitados à poucas lutas e diálogos.
Acho que nesse quesito, a maior expectativa acabou se
tornando a maior decepção do filme. Sim, estou falando do lendário Ikki de
Fênix. Nos trailers ele é apresentado de uma forma que lembra muito o
personagem do anime, porém, quando ele finalmente aparece, pagando de fódão,
acaba tendo uma luta bem sem graça e que deixou bastante a desejar.
Apesar das críticas, o filme não é de todo ruim. A
computação gráfica, expressões corporais e faciais ficaram ótimas e lembram
bastante os jogos mais recentes da série Final Fantasy, inclusive o inimigo
final. As cenas de ação e diálogos
também estão bem legais, apesar de serem tão poucas e curtas. Acho que vale citar
novamente o visual das armaduras, que eu achei bem maneiro. No filme, a ideia de
que as armaduras são vivas está mais presente
do que no anime. Isso porque elas mudam de forma e se adaptam à batalha, se fechando como um
armadura medieval e protegendo melhor seu usuário.
No geral, o que matou o filme foi toda a correria do enredo.
Resumir à saga das 12 casas em 1h30 não foi uma decisão muito inteligente. Até
porque é a fase mais emblemática da série. O filme consegue contar uma história
com início, meio e fim, mas muitas coisas não fazem sentido, o que acaba
fazendo perder um pouco à graça. Mais uma crítica, se é que cabe mais alguma, é
que não utilizaram a trila sonora original. “Pegasus Fantasy”. A icônica música
de abertura do anime não tocou em nenhum momento do filme, e isso fez bastante falta...até porque, é a melhor parte de um dos trailers do filme.
A nota que dou pra esse filme, de 0 a 10, de acordo com uma nova forma que
acabei de inventar, é de 5,0 gafapoints. Recomendo muito pra quem é fã. Apesar
do péssimo enredo, vale muito a pena pagar seu rico dinheirinho pra ter uma
bela dose de nostalgia e ver seus personagens favoritos de outra forma.